terça-feira, 5 de outubro de 2010

Bate-papo

Ouvir quem sabe se expressar  é sempre muito bom. Clareza, correção gramatical, postura, um toque de humor e muito o que dizer... O palco fica pequeno e a platéia encantada. Aconteceu ontem.
Logo no início da apresentação, o escritor Ignácio de Loyola Brandão chamou a atenção dos ouvintes para o bom emprego da língua portuguesa. Disse ele, talvez não exatamente da forma aqui transcrita : Não vou agradecer a “todos” e a “todas”, forma comum entre os que se dirigem ao público nos dias atuais. No meu tempo de escola, aprendi que a palavra “todos” engloba ambos os gêneros.

É preciso algum outro comentário?

Ignácio de Loyola Brandão falou de Zero. Contou como a obra nasceu e venceu os limites impostos pela censura do governo militar. Exemplificou a convicção de que, uma vez realidade, a obra literária alcança força de resistência.


Não são muitos os livros que permaneceram como fato literário entre tantos publicados no Brasil nos últimos anos. A caprichada edição comemorativa de Zero, 35 anos após a primeira publicação por editora italiana, relembra-nos que esta é uma obra de destaque na literatura brasileira. O contexto trabalhado de forma inovadora ultrapassa os limites do objeto impresso e do tempo em que foi escrito.

Ignácio de Loyola Brandão no teatro Eva Herz - Livraria Cultura

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sobre Editoras e Originais

No blog da Companhia das Letras,  Luiz Schwarcz escreve sobre originais e editoras e a respeito da sempre complicada recusa de publicação:
   
    “Recusar um livro é das situações mais delicadas na vida de um editor. Mas infelizmente é bastante comum. Quando se trata de autor desconhecido, cujo texto foi enviado espontaneamente à editora, é um pouco menos difícil. (...) No caso de autores conhecidos, jovens ou consagrados, de quem já publicamos outros livros, o momento da recusa de um novo trabalho é ainda mais sensível. No entanto faz parte da profissão e aprendemos a fazê-lo com a delicadeza necessária.”

Reprodução de foto que ilustra o artigo de Luiz Schwarcz .

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Explicação

Numa gaveta cheia de escritos, encontrei poema de 28 de março de 2001. Na época, estudava o Auto do Frade - Poema para Vozes, de João Cabral de Melo Neto. Lembro-me que um professor de literatura não entendia o porquê da minha emoção ao lidar com o poeta, o poeta da palavra fria, lâmina afiada. Talvez, em resposta, eu tenha tentado versos, logo esquecidos.

Depois de tantos anos, desde muito antes de 2001, ainda preciso de poesia para lidar com a vida. Apesar de Tudo.

                                                                 Explicação

                                                    Certo dia busquei o poema.
                                                    Li palavras. Conheci poetas.
                                                    Cheguei em João Cabral.
                                                    Onde o verso?

                                                    Na manhã clara de céu azul,
                                                    a topada foi forte.
                                                    Pegou de jeito. Sangrou feio.
                                                    Onde a emoção?

                                                    Escutei o cante do araponga.
                                                    Revolvi o amargo da semente.
                                                    Aspirei o seco do caminho.
                                                    Resisti ao ardor da luz solar, na pele.

                                                    Com a ferida tão exposta,
                                                    não tive tempo.
                                                    De entender.
                                                    Com os sentidos todos, acesos,
                                                    apalpei a Dor contida.
                                                    No silêncio pleno do vazio,
                                                    Poesia.
                                                    Encontrei a rima

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Santa fashion

A santa veste Louis Vuitton.
Trabalho do artista italiano Francesco De Molfetta para
uma exposição de arte sacra.

Imagem do site de Julia Petit.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Palavras

A palavra certa: uma procura inesgotável. E ela poucas vezes chega no momento certo...

Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te perguntam: Trouxestes a chave?

Carlos Drummond de Andrade


A Palavra Mágica  ( CDA: 1977 - DISCURSO DE PRIMAVERA E ALGUMAS SOMBRAS )


Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.


Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.


Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Coco Avant Chanel, um filme de Anne Fontaine

Que filme... Coco Avant Chanel, de Anne Fontaine, faz um recorte na vida da estilista francesa que mostrou ao mundo uma mulher livre dos espartilhos e da imagem estabelecida para o feminino. Passa pelo abandono da criança no orfanato, pela aceitação da mulher, embora sem resignação, dos caminhos que a vida lhe oferece, seu trabalho e suas convicções. A cena final é um desfile na Maison Chanel. A construção de um estilo, é o que nos mostra o filme.
Audrey Tatou, Benoit Poelvoorde e Alessandro Nivola são os intérpretes do filme de Anne Fontaine.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Vida

O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.

Guimarães Rosa